Lista de sugestões de filmes interessantes. Cada postagem traz foto, breve sinopse, censura, diretor, distribuidora, elenco, responsáveis pelo roteiro, musica e fotografia. Com o eterno deslumbramento de fã apaixonada, By Star Filmes acredita que o cinema emociona, ensina e é a melhor diversão.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Que Mal Eu Fiz a Deus?

Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu? **
(2014) 97 min (12 anos)

O sonho de Marie Verneuil é casar pelo menos uma de suas filhas na igreja católica de sua cidade. Mas o coração das moças escolhe diferente e, depois de três cerimônias na bela Prefeitura de Chinon, os Verneuil acolhem Rachid, David e Chao, de família árabe, judia e chinesa, respectivamente. Com os nervos à flor da pele, Marie conversa com o padre, consulta um psicólogo e descobre que está vivendo a síndrome do ninho vazio. Seu marido Claude também está inconsolável. A pressão familiar aumenta sobre a caçula Laure. A união dos Verneuil resistirá ao próximo genro?

É mais fácil agradar ao casal francês do que escolher um filme que satisfaça minha filha do meio. Para complicar a situação, desde pequena, Lulu desgosta da categoria Drama. Ontem à tarde, passeávamos em vão pela seleção gratuita de comédias do NOW, já que nossa locadora estava sem novidades. 

Em menos de cinco minutos de projeção, as duas logo percebíamos que não valia a pena continuar. Até que lembrei dessa comédia francesa de Philippe de Chauveron. O roteiro ágil e o excelente elenco, com destaque para o casal Verneuil, salvaram nossa tarde de domingo. Mesmo dando boas gargalhadas, minha Lulu deu nota 7 ao filme. Tenho que me esforçar mais!

O filme foi visto por mais de 12 milhões de franceses, mas não pode ser visto pelos ingleses ou americanos. Os distribuidores de língua inglesa rejeitaram-no como politicamente incorreto. Acharam mais seguro evitar piadas que envolvem afro-americanos, judeus e asiáticos. Já o diretor-roteirista Chauveron explica que seu filme procurou desinflar os preconceitos divulgados pelo partido político Frente Nacional contra os imigrantes, o qual vem recebendo apoio crescente nos últimos anos. (The Telegraph)

Diretor: Philippe de Chauveron
Roteiro: Philippe de Chauveron, Guy Laurent
Musica: Marc Chouaran
Fotografia: Vincent Mathias
Designer de Produção: François Emmanuelli
Elenco: Christian Clavier, Chantal Lauby, Ary Abittan, Medi Sadoun, Frédéric Chau, Noom Diawara, Frédérique Bel, Julia Piaton, Émilie Caen, Élodie Fontan, Pascal Nzonzi, Salimata Kamate, Loïc Legendre
Distribuidora: Europa Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Brooklin

Brooklyn * * *
(2015) 111 min (14 anos)

Irlanda/EUA - Rosa e Eilis Lacey moram com a mãe viuva em Enniscorthy, no sudeste da Irlanda. Rosa trabalha como escriturária numa firma e Eilis presta serviço aos domingos na loja da implacável senhorita Kelly. Enfrentando a má vontade da patroa, a jovem explica que deixará o serviço por motivo de viagem à América. Um padre conhecido da irmã havia lhe conseguido emprego como vendedora numa loja de departamento do Brooklin, bairro cheio de emigrantes irlandeses. Em vez de desejar sorte à funcionária, Miss Kelly comenta secamente que Rosa terá que arcar sozinha com a responsabilidade da mãe até o final de sua vida. Assim, Eilis deixa para trás as duas pessoas que mais ama no mundo, para dividir uma cabine econômica com uma desconhecida, no navio que conduz mais uma leva de passageiros esperançosos, rumo à terra das oportunidades. 

Chegando aos Estados Unidos, Eilis se hospeda na pensão irlandesa para moças de Madge Kehoe, no Brooklin. A proprietária comanda a conversa na mesa do jantar com mão de ferro. A primeira carta recebida de casa, deixa a tímida Eilis em prantos. Mas, aos poucos, vai ganhando desenvoltura no trabalho, começa um curso de contabilidade, e é a unica das pensionistas que se propõe a ajudar o padre Flood na festa de final de ano para idosos irlandeses. De vez em quando, a recém chegada frequenta um baile, onde conhece Tony Fiorello, um rapaz bem intencionado que se apaixona por ela. A vida fica mais rica e promissora. Então chegam notícias amargas da velha Irlanda. O coração de Eilis se divide.

Deixarei que outros louvem o roteiro, a perfeição técnica deste filme e a interpretação sensível e poderosa dos atores. Além da beleza da fotografia e da fiel reconstituição de época, foram os tipos humanos que me impressionaram em "Brooklin". Entre outros, o padre dedicado a fazer o bem, a irmã altruísta que engendra uma oportunidade para a irmã caçula e a protagonista, ainda muito jovem, que enfrenta o medo e embarca na única saída visível para a independência. Do lado menos amável, há a rigorosa e carismática senhora Kehoe, a dona da pensão, que acaba se rendendo aos bons modos e a simplicidade de Eilis, assim como a mesquinha senhorita Kelly, a ex-patroa irlandesa. No conjunto, parece que personagens saídos dos romances de Dickens e Jane Austen desembarcaram em Nova Iorque na década de 50. Uma delícia. Indicado aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou o BAFTA como Melhor Filme Inglês em 2016.

Curiosidade: (Imdb)
* A Brooklin do filme foi gravada na verdade em Montreal, por razões econômicas. Apenas dois dias da produção foram rodados no Brooklin, um para as tomadas dos exteriores dos prédios em "brownstone", um tipo de rocha sedimentar ou arenito, e o outro para filmar em Coney Island.

* Saoirse Ronan (Eilis Lacey) nasceu no Bronx, em Nova Iorque, mas foi criada na Irlanda, de pais irlandeses. Ela considera "Brooklin" seu filme mais pessoal e a primeiras vez que usou o sotaque irlandês. Mas o dialeto do personagem é diferente do que usa na realidade. No filme ela usa um sotaque de Wexford, porque sua personagem é de Enniscorthy, mas na vida real, Saoirse fala com o sotaque de Dublin.

Diretor: John Crowley
Roteiro: Nick Hornby, baseado no romance de Colm Tóibín
Musica: Michael Brook
Fotografia: Yves Bélanger
Designer de Produção: François Séguin
Diretores de Arte: Irene O'Brien, Robert Parle
Figurino: Odile Dicks-Mireaux
Elenco: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Jim Broadbent, Julie Walters, 
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 12 de abril de 2016

Morangos Silvestres

Smultronstället * * *
Wild Strawberries
(1957) 95 min (Livre)



Suécia - Sentado em frente à escrivaninha em seu escritório, o professor Eberhard Isak Borg se apresenta como um médico solitário de 78 anos e informa que receberá uma homenagem na cidade de Lund. Depois de uma noite inquieta, durante a qual tem um sonho atribulado, Isak avisa à Agda, sua empregada há 40 anos, que deseja viajar de carro, e não de avião, como fora combinado. Nessa viagem, o doutor Borg e a nora Marianne começam a se conhecer melhor e dão uma carona à jovem Sara e seus dois pretendentes: um ateu e um religioso.

Acredito que estivesse com uns 8 anos quando meus pais foram ao cinema assistir "Morangos Silvestres". O filme já deveria ser classificado como Livre para todas as idades, mas nessa época eram as histórias da Disney e de Frank Capra que me seduziam. Por incrível que pareça, só ontem assisti, pela primeira vez, essa joia deixada pelo diretor sueco! As reflexões sobre a solidão e os distúrbios nos diversos tipos de relacionamento humano são apresentados de forma bem mais otimista do que em outras obras do cineasta. E é a possibilidade de superá-los que torna essa experiência mais adorável. O solitário professor se deixa contaminar com a alegria dos três jovens que encontra ao visitar a casa onde morou com a família. Parece tirar o coração do casulo onde seu infeliz casamento o enclausurou. Mais adiante o doutor faz uma parada para cumprimentar a mãe de 95 anos, uma figura independente e severa, que não aproveita essa tentativa de aproximação.


À parte a profundidade freudiana dos dramas de Bergman, são fascinantes suas composições da imagem. Nesse filme, como em "Fanny & Alexander", percebe-se a influência estética do pintor sueco Carl Larsson, especialmente nas lembranças do dr. Isak Borg na casa paterna. 

As aquarelas de Larsson retrataram sobretudo seus 8 filhos com a designer Karin, na colorida casa de Lilla Hyttnäs, em Sundborn. Bergman imaginou Isak numa família de dez irmãos e primos, em cenário que se inspira na luminosa decoração da casa de campo do pintor sueco e seu entorno. O ambiente alegre suaviza a carga dramática dos sentimentos do idoso personagem de "Morangos Silvestres". O filme foi indicado ao Oscar e ao BAFTA, e ganhou o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro em 1960; uma obra-de-arte que resistiu com brilho à passagem do tempo.

Diretor: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Musica: Erik Nordgren
Fotografia: Gunnar Fischer
Designer de Produção: Gittan Gustafsson
Elenco: Victor Sjöström, Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindahl, Naima Wifstrand, Max von Sydow
Distribuidora: Versátil Home Video

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ex_Machina

Ex Machina * *
(2015) 108 min (14 anos)

tudo capas gtba
EUA - No cinema, os meninos solitários costumam tornar-se escritores, gênios ou psicopatas. Nathan Bateman tornou-se um nerd genial enfadado com seus semelhantes. Ele mora numa mansão high tec, isolado dos outros seres humanos, acompanhado apenas de Kyoko, uma governanta que não compreende inglês. Como criador do Bluebook, o motor de busca mais usado no mundo, Nathan acumulou imensa fortuna e está empenhado numa pesquisa de inteligência artificial. 

Para testar seu projeto secreto, é sorteado um dos funcionários da Bluebook. O programador Caleb Smith vence a loteria e ganha uma viagem de uma semana na companhia de Nathan. Orfão de pais, 26 anos, sem irmãos ou namorada, Caleb também é um solitário. Num helicóptero da companhia, ele sobrevoa montanhas geladas até ser deixado no meio da mata, com instruções para acompanhar o rio até a casa.

O tímido jovem deve aplicar o Teste de Turing para avaliar se uma andróide criada por Nathan é capaz de se passar por humana. Alimentada com o software do Bluebook, a suave Ava reconhece as menores expressões faciais e distingue se o interlocutor está falando uma verdade ou uma mentira. Durante sete encontros, Ava permanece numa sala envidraçada, enquanto Caleb lhe faz perguntas. Um vínculo parece se estabelecer entre os dois.

O que distingue Ava, de "Ex Machina", e o David da belíssima fábula de Spielberg-Kubrick? O menino-robô de "A.I." foi criado para amar apenas sua "mãe" Monica. Na ausência dela, esse amor obsessivo tornou o pequeno andróide supérfluo, sem propósito. Ava é um programa que absorve todo o conhecimento existente na internet, sobretudo o modo como pensam as pessoas. Se só é possível amar a quem se conhece, seria Ava capaz de amar os humanos? Isso possibilitaria um vínculo entre Caleb e Ava? Quais foram as intenções do criador do software? "Ex_Machina" é daqueles filmes de ficção científica que faz pensar. Ótimo roteiro e mais um desempenho exemplar de Alicia Vikander, vencedora do Oscar de 2016, como atriz co-adjuvante em "A Garota Dinamarquesa". "Ex_Machina" também foi premiado na categoria de Efeitos Visuais.


Diretor: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland
Musica: Geoff Barrow, Ben Salisbury
Fotografia: Rob Hardy
Designer de Produção: Mark Rigby
Elenco: Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Sonoya Mizuno
Distribuidora: Universal

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Sicario - Terra de Ninguém

Sicario * *
(2015) 121 min (16 anos)

EUA, Arizona - A agente do FBI Kate Mercer perde dois colegas na batida policial a uma das propriedades do cruel traficante Manuel Diaz. Por trás das paredes da casa, os agentes encontram algumas dezenas de corpos de homens e mulheres adultos, todos de pé, ensanguentados, com as cabeças dentro de sacos plásticos. Os experientes investigadores passam mal diante da cena.

Decidida a punir o verdadeiro responsável, Kate se junta a uma força tarefa chefiada pelo sorridente Matt Graver. O objetivo da missão é fazer barulho, apreendendo drogas e mexendo nas contas bancárias do cartel mexicano. Matt tem autoridade para congregar equipes de diversas agências, só voa em jatinho particular e frequenta reuniões de trabalho usando sandálias havaianas. Junto a ele atua o enigmático agente Alejandro. Com voz mansa e modos incisivos, o latino obtém confissões de qualquer criminoso. Quem são na realidade Matt Graver e Alejandro?

Como espectadores, não recebemos qualquer informação privilegiada. Sabe-se apenas o que é do conhecimento da agente Kate Mercer. Isto é, pouco ou quase nada. Esse clima de suspense permanece até o fim de "Sicario: Terra de Ninguém", e funciona bem, mantendo a tensão e o interesse. A conclusão do roteiro é de deixar inquieto quem habita as grandes cidades, onde o tráfico de drogas tece suas teias por entre as esferas do poder oficial. No elenco merecem destaque as interpretações expressivas de Emily Blunt e Benício del Toro. Belíssima, como sempre, é a fotografia de Roger Deakins, o fantástico britânico CBE (Commander of the Order of the British Empire), que ainda não conseguiu convencer seus colegas americanos a lhe oferecerem um Oscar. Este é um filme imprescindível para os que gostam de emoções fortes.

Space

Diretor: Denis Villeneuve (Incendios, Os Suspeitos)
Roteiro: Taylor Sheridan
Musica: Jóhann Jóhannsson
Fotografia: Roger Deakins
Designer de Produção: Patrice Vermette
Elenco: Emily Blunt, Josh Brolin, Benício del Toro, Bernardo Saracino, Daniel Kaluuya, Maximiliano Hernandez
Distribuidora: Paris Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Belle e Sebastian

Belle et Sébastien * *
(2014) 98 min (10 anos)

França - Em 1943, numa aldeia dos Alpes franceses, vivem o pastor de ovelhas César e sua filha Angelina, a bela padeira local. Os dois cuidam de Sébastian, nascido no dia de São Sebastião há sete anos atrás. Sua mãe, uma cigana de passagem pela aldeia de Saint-Martin, morreu logo depois do parto. César faz o papel de avô, conforta o menino, dizendo que sua mãe o ama, mesmo estando longe na América, enquanto ensina o guri sobre a vida nas montanhas. 

O pastor francês está tentando encontrar o cão selvagem que anda atacando seu rebanho, mas Sebastian o encontra primeiro e começa a cativar o animal, tornando-se amigos inseparáveis. Além da "fera selvagem", toda aldeia tem que lidar com a patrulha nazista, cuja missão é impedir a fuga dos judeus em direção à fronteira. Na contra-mão dos alemães, o médico Guillaume, namorado de Angelina, conduz os refugiados pelos gelados caminhos das montanhas em direção à Suíça.

Mais do que Belle, o expressivo Félix Bossuet, como Sébastien, e a linda padeira Angelina são os trunfos de "Belle e Sebastian". O filme de Nicolas Vanier é mais do que bonito, chega a ser deslumbrante, pelo cenário das paisagens alpinas. Bom para reunir a família em qualquer momento, na tradição das histórias de Marcel Pagnol (A Gloria de Meu Pai, O Castelo de Minha Mãe).

Curiosidades:
* Belle pertence a uma raça antiga de Cão das Montanhas dos Pirineus, oriunda da Ásia Central e trazida para a Península Ibérica há cinco mil anos, como guardador de rebanhos. Uma das raças preferidas da realeza francesa para guardar castelos, recebeu de Luis XIV o título de Cão Real da França em 1675.

Margaux Châtelier como Angelina
* O personagem André é interpretado pelo ator e diretor Mehdi El Glaoui, filho de Cécile Aubry, autora do livro "Belle et Sébastien".

Diretor: Nicolas Vanier
Roteiro: Juliette Sales, Fabien Suarez, Nicolas Vanier, baseado no livro de Cécile Aubry (1965)
Musica: Armand Amar
Fotografia: Éric Guichard
Designer de Produção: Sebastian Birchler
Figurino: Adélaïde Gosselin
Elenco: Félix Bossuet, Tchéky Karyo, Margaux Châtelier, Dimitri Storoge, Andreas Pietschmann, Urbain Cancelier, Mehdi El Glaoui, Paloma Palma
Distribuidora: Imovision

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sábado, 5 de dezembro de 2015

Morte Súbita

The Casual Vacancy
(2015) 180 min (16 anos) minissérie BBC1

Inglaterra - Os campos verdes da pequena vila de Pagford são um colírio para os olhos. Contudo, por trás das paredes da aldeia inglesa, a realidade não é tão bonita. Pais e filhos se estranham, esposas se desentendem com os maridos, ambição e intrigas se multiplicam entre os moradores. Há os idealistas, os que só procuram um pouco de paz e aceitação, além dos omissos, dos dependentes de drogas, e alguns obcecados por sexo. 

O centro Sweetlove oferece as atividades assistenciais em Pagford, mas um grupo de cidadãos menos sensíveis às desigualdades sociais planeja transformá-lo num spa de luxo. O comitê responsável está dividido, quando a morte de um dos membros abre uma vaga no conselho municipal, para a qual surgem três candidatos duvidosos. Os que defendem os direitos dos moradores do bairro pobre de Fields estão em desvantagem. 

Das fantasias de Hogwarts à dura realidade de Pagford, J.K. Rowling mostra sua versatilidade em "Morte Súbita". Algo do sentimento de desamparo do período mais difícil da vida da escritora, quando precisou viver da previdência social, pode ter alimentado essa história. Depois dos minutos necessários para captar o vínculo entre os personagens, e assimilar suas fraquezas, ficamos envolvidos com o drama. Um ótimo elenco.

Curiosidade:
* As gravações de "Morte Súbita" foram feitas em Painswick, Gloucestershire. Os moradores ficaram chocados ao descobrir uma loja nova, vendendo lingeries sensuais em sua rua principal. Alguns entravam para examinar as mercadorias, enquanto outros foram reclamar na reunião do conselho municipal, sem perceber que se tratava de um set de filmagem.

Diretor: Jonny Campbell
Roteiro: Sarah Phelps, J.K. Rowling
Musica: Solomon Grey
Fotografia: Tony Slater Ling
Designer de Produção: Sami Khan
Elenco: Abigail Lawrie, Michael Gambon, Julia McKenzie, Monica Dolan, Keeley Hawes, Rufus Jones, Rory Kinnear, Simon McBurney, Emily Bevan, Silas Carson, Keeley Forsyth, Joe Hurst, Lolita Chakrabarti, Simona Brown, Julian Wadham
Distribuidora: Warner

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

domingo, 22 de novembro de 2015

De Gravata e Unha Vermelha

De Gravata e Unha Vermelha *
(2015) 85 min (12 anos)

CinePlaneta
Brasil - Depois de tantos dias de ausência, durante os quais vi muitos filmes, mas não houve tempo e cabeça para escrever sobre eles no blog, por que retornar logo com um documentário de entrevistas com transgêneros e gays? Porque o filme me surpreendeu e emocionou. Apreciei a sinceridade dos relatos e a leveza no trato de tema tão controvertido. Por mais que essa realidade fuja do universo da maioria, importa pelo menos tentar compreender mais essa diversidade do ser humano.

A abertura do filme se faz com a presença exuberante de Candy Mel no palco, apoiada pelo ritmo da Banda Uó. Seguem os depoimentos de gente anônima e famosa que já sentiu na pele o que é ser diferente da norma. Certamente mais difícil para as pessoas comuns do que para os famosos. Lá estão Rogéria, Ney Matogrosso e Laerte. 

A diretora Miriam Chnaiderman alterna momentos até comoventes - como as confidências da simpática vovó Letícia Lanz - com sorrisos provocados pelas tirinhas bem-humoradas do cartunista Laerte. E segue com clips de apresentações de Ney Matogrosso, além da voz suave de Gilberto Gil. Fez falta alguma menção a Roberta Close no documentário; uma lacuna importante, já que a modelo e atriz assumiu sua condição transexual ainda na década de 80, enfrentando os preconceitos com beleza, elegância e inteligência.
Roberta Close no Extra

Diretora: Miriam Chnaiderman
Roteiro: Miriam Chnaiderman
Fotografia: Fernanda Rescali
Diretor de Arte: Dudu Bertholini
Participação: Laerte, Rogéria, Ney Matogrosso, Claudia Mel, Banda Uó, Letícia Lanz, João W. Nery, Johnny Luxo, Eduardo Laurentino, Dudu Bertholini, Dudda Nandez, Walério Araujo
Distribuidora: Imovision

De acordo com o site AdoroCinema, o filme ganhou o Premio Felix no Festival do Rio 2015.

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Orgulho e Esperança

Pride * *
(2014) 120 min (16 anos)

Inglaterra e Pais de Gales - Na primeira metade da década de 80, o governo de Margaret Thatcher está reprimindo vigorosamente tanto os trabalhadores das minas quanto os movimentos de homossexuais. Ao constatar essa realidade, o grupo de ativistas gays que se reúne numa livraria do Soho resolve arrecadar fundos para o movimento dos mineiros. É assim que nasce a campanha Lésbicas e Gays apoiam os Mineiros. 

Mas o sindicato desses trabalhadores revela constrangimento e recusa a entusiasmada oferta. Sem desanimar diante da rejeição, os ativistas do LGSM (Lesbians and Gays Suport the Miners) escolhem Onllwyn, uma pequena cidade do Pais de Gales, se metem num micro-ônibus e vão entregar pessoalmente o dinheiro. Então, aquilo que começa em Londres, no verão de 1984, com uma incipiente Parada Gay, termina de forma quase apoteótica um ano depois.

Adoro filmes baseados em histórias reais, ainda que sejam só parcialmente fiéis à realidade! Não é à toa que há um marcador só para eles nesse blog. Geralmente são dramas, mas "Orgulho e Esperança" consegue misturar com sabedoria doses de humor e compaixão entre os momentos de amarga intolerância. Esta semana conversava com a família sobre emoção no cinema. Meus irmãos e eu, reconhecidos manteigas derretidas, não precisamos de muito para nos comover. Mas minha filha caçula é dura na queda, fica relativamente tranquila frente partidas e perdas na tela. Ela desaba mesmo é diante de cenas de solidariedade. Estou certa de que "Orgulho e Esperança" há de lhe arrancar mais do que apenas lágrimas furtivas. Recomendo!

Curiosidade:
* No momento do lançamento do filme, as últimas minas de carvão estavam sendo fechadas na Grã-Bretanha. Não é mais aceitável queimar carvão devido às Leis de Mudanças Climáticas de 2008.

Diretor: Matthew Warchus
Roteiro: Stephen Beresford
Musica: Christopher Nightingale
Fotografia: Tat Radcliffe
Design de Produção: Simon Bowles
Figurino: Charlotte Walter
Elenco: Bill Nighy, Imelda Stauton, Dominic West, Paddy Considine, Andrew Scott, George Mackay, Joseph Gilgun, Ben Schnetzer, Faye Marsay, Freddie Fox, Chris Overton, Joshua Hill, Karina Fernandez, Jessie Cave, Lisa Palfrey, Liz White, Jack Baggs, Menna Trussler
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Segunda Chance

En Chance Til *
(2014) 102 min (14 anos)

Dinamarca - Na casa limpa e confortável, Andreas e Anne não conseguem repousar à noite porque o recém-nascido Alexander chora de hora em hora. Andreas embala o filho até que durma. Simon, seu parceiro de trabalho na polícia, acabou de se divorciar e está bebendo excessivamente.

Quando os dois policiais são chamados para lidar com um casal de drogados, deparam-se com o ambiente imundo, onde há um bebê fechado no armário. O negligenciado Sofus está sujo, mas não maltratado, e precisa ser deixado com os alterados Tristan e Sanne. Andreas fica revoltado por manter uma criança sob cuidados de pais irresponsáveis, mas não há nada a fazer. Contudo ele se lembrará de Sofus quando a desgraça se abater sobre seu próprio lar. Para contornar uma crise evidente, o detetive tomará decisões equivocadas, com amplas consequências.

A vida ordenada num país socialmente desenvolvido deslumbra, especialmente quem vive num sistema que não favorece a igualdade de oportunidades. Contar com serviços públicos de alto nível para todos e um tratamento humano para os que incorrem em erro, isso é um sonho! Além disso, a decoração simples e elegante dos ambientes escandinavos agrada os olhos, mas é a dor dos personagens que desponta e rouba a cena nos 102 minutos de "Segunda Chance". O filme de Susanne Bier é um drama forte, muito bem interpretado. Uma grata surpresa foi reconhecer Ewa Fröling, a bela Emilie Ekdahl de "Fanny & Alexander", fazendo uma ponta como a elegante sogra de Andreas.

Ewa Fröling
Curiosidade:

* A modelo May Anderson estreia no cinema como a prostituta Sanne. A diretora Susanne Bier escolheu-a para o papel depois de encontrá-la numa festa. Susanne resistiu à ideia de fazer um teste pois julgou que May poderia não se sair bem, mas que seria a pessoa certa para o papel.

Diretora: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jensen
Musica: Johan Söderqvist
Fotografia: Michael Keith Snyman
Elenco: Nikolaj Coster-Waldau, Ulrich Thomsen, Maria Bonnevie, Nikolaj Lie Kaas, Lykke May Andersen, Ewa Fröling
Distribuidora: California Filmes

*** excelente
** ótimo
* bom

Sem Asterisco - interessante
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